IMAGEM RICARDO DUARTE/SCI
Preservações, elenco curto e estratégia explicam a derrota por 1 a 0 para o Athletico-PR; ainda assim, a lembrança do ano passado preocupa.
A derrota para o Athletico na estreia do Campeonato Brasileiro pode ser compreendida, no entanto não sob a ótica do torcedor, que esperava uma estreia mais positiva, ainda mais após a vitória expressiva no clássico Gre-Nal do último domingo. Mas, ao analisar o contexto, alguns fatores ajudam a explicar por que o Inter não conseguiu a vitória dentro do Beira-Rio. O primeiro deles está nas mudanças efetuadas na escalação do time. Em relação ao time que venceu o clássico, Paulo Pezzolano promoveu mudanças importantes. Mercado, Paulinho e Carbonero ficaram no banco. Alan Patrick teve sua posição levemente alterada no meio de campo. A decisão teve como pano de fundo o desgaste físico provocado pela sequência pesada de jogos no Campeonato Gaúcho, o que acabou enfraquecendo a estrutura coletiva na largada do Brasileirão — um jogo que além do fator casa, adversário e principalmente pela logística dos próximos jogos, estava claramente como fundamental para soma de pontos.

“Alan Patrick jogou onde gosta, de meia pela esquerda. Jogamos com o Tabata de meia pela direita. A linha deles ficou baixa. Carbonero fez um bom clássico e terminou muito cansado. Jogará sempre quem eu achar que está fisicamente e mentalmente 100%” explicou Pezzolano após a partida.
O plano tinha algum sentido dentro de uma lógica de gestão de elenco, mas esbarrou em um problema reconhecido publicamente pelo próprio treinador: o grupo do Inter é curto. As alternativas escolhidas não conseguiram manter o mesmo nível de desempenho. O que deixa evidente que a escolha de preservação foi equivocada da forma que foi realizada, a pergunta é por que não começar com os atletas e depois ao longo da partida efetuar as trocas?

Victor Gabriel, Bruno Henrique e Tabata foram utilizados, mas o jogo escancarou que eles, neste momento, não podem ser tratados como soluções capazes de substituir titulares sem perda de rendimento. O resultado foi um time menos intenso, erros excessivos de passes, com mais dificuldade de criação; de saída de bola e vulnerável logo nos primeiros minutos. A estratégia também pesou no resultado. O Inter “esticou a corda” especialmente para o Gre-Nal. Na estreia do Brasileirão, porém, a lógica se inverteu: houve preservação justamente quando o contexto pedia força máxima.
Ao sair atrás no placar ainda no início, o Inter passou a enfrentar um adversário confortável, bem postado defensivamente e fiel ao seu plano. Teve posse de bola e tentou pressionar, mas encontrou dificuldades para transformar volume em chances claras. Mesmo com alguns momentos de reação, faltou clareza, intensidade e precisão. “Temos a prioridade do Brasileiro, mas quando se joga um clássico, é um campeonato à parte, tem que ganhá-lo. Isso pesou. Fazia só três dias. Não fizemos o gol. Se fizéssemos as chances que criamos, teríamos ganhado” – afirmou o treinador. O Brasileirão é longo, e uma derrota na estreia não define rumos. Mas o jogo contra o Athletico deixa de lição que o Inter não tem margem para subestimar partidas, especialmente enquanto o elenco não oferece respostas no mesmo nível.

Ajustar prioridades, reconhecer limitações do grupo e consolidar rapidamente uma base forte parecem ser passos urgentes para evitar os erros de leitura, como o da estreia.
Ficha técnica:
Internacional (0): Rochet; Bruno Gomes (Braian Aguirre), Félix Torres, Victor Gabriel e Bernabei; Ronaldo, Bruno Henrique (Paulinho) e Alan Patrick; Bruno Tabata (Carbonero), Borré e Vitinho. Técnico: Paulo Pezzolano.
Athletico-PR (1): Santos; Terán (Léo Pelé), Aguirre e Arthur Dias; Benavídez, Portilla (Jadson), Zapelli (João Cruz) e Léo Derik; Mendoza (Dudu), Viveros e Julimar (Luiz Fernando). Técnico: Odair Hellmann.
Gol: Mendoza, aos 8’/1ºT (A).
Cartões amarelos: Portilla (A). Victor Gabriel e Paulinho (I).
Arbitragem: Flavio Rodrigues de Souza, auxiliado por Fabrini Bevilaqua Costa e Joverton Wesley De Souza Lima. Quarto Árbitro: Bruno Pereira Vasconcelos. VAR: Marco Aurelio Augusto Fazekas Ferreira.
Estádio: Beira-Rio.
Público: 17.059. Pagantes: 14.904. Não pagantes: 2.155.
Renda: R$ 357.073,00.